Dress code híbrido: Rotinas entre home-office e trabalho presencial redefinem o vestuário corporativo



A roupa usada durante o expediente deixou de pertencer exclusivamente ao escritório. Com jornadas divididas entre casa, deslocamentos, reuniões presenciais e compromissos pessoais, profissionais passaram a procurar peças capazes de acompanhar diferentes ambientes sem parecer formais ou casuais demais.

Uma pesquisa divulgada em 2025 pelo International Workplace Group, com mil profissionais híbridos dos Estados Unidos, mostrou que 92% consideravam importante comprar roupas adequadas tanto ao trabalho quanto ao lazer. Qualidade foi citada por 39% dos entrevistados, enquanto 32% destacaram o conforto nos deslocamentos. Os resultados foram publicados no relatório IWG Workwear Reimagined.

A flexibilização não representa o desaparecimento dos códigos profissionais. De acordo com o levantamento, 56% dos participantes trabalhavam em empresas com regras claramente definidas para o vestuário. Nesse grupo, 67% afirmaram que as normas haviam se tornado menos rígidas nos anos anteriores.

A mudança está menos relacionada ao abandono da apresentação profissional do que à revisão das peças consideradas adequadas. Ternos, camisas sociais e sapatos formais continuam presentes em determinadas atividades, mas deixaram de funcionar como referência universal. Camisetas estruturadas, polos, calças de construção simples e sobreposições leves avançaram em ambientes nos quais a formalidade já não corresponde à rotina.

A aparência, entretanto, continua produzindo julgamentos. Um quarto dos entrevistados declarou ter sido avaliado negativamente pela maneira como se vestia. A informação revela uma tensão: espera-se mais conforto e liberdade, mas permanecem critérios, muitas vezes implícitos, sobre credibilidade, cuidado e pertencimento.

O levantamento também identificou a consolidação de um “uniforme pessoal”. Mais da metade dos profissionais adotava combinações repetidas nos dias de trabalho presencial. Entre eles, 54% buscavam economizar tempo e 43% pretendiam reduzir o número de decisões tomadas pela manhã.

Para as empresas, esse comportamento oferece uma indicação importante. O vestuário corporativo pode criar unidade visual sem reproduzir a antiga lógica de peças excessivamente formais ou desconfortáveis. A escolha precisa considerar a função exercida, o contato com o público, a temperatura, os deslocamentos e a frequência de lavagem.

Uma camiseta utilizada em uma atividade administrativa não enfrenta as mesmas condições de uma peça destinada à produção, à logística ou ao atendimento externo. Modelagem, composição e acabamento precisam responder à experiência real do usuário, não apenas à fotografia institucional.

Quando o uniforme restringe movimentos, retém calor ou parece deslocado fora do escritório, tende a ser substituído, adaptado ou utilizado somente sob fiscalização. Nesses casos, a empresa perde justamente a consistência visual que pretendia construir.

O trabalho híbrido não tornou o vestuário corporativo irrelevante. Ao contrário, ampliou suas exigências. A peça contemporânea precisa representar a organização, oferecer conforto prolongado e atravessar diferentes situações com naturalidade.

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